Principais tendências da expansão portuguesa de vinhos no Brasil

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Vinícolas portuguesas intensificam presença no mercado brasileiro de vinhos

O interesse por vinhos no Brasil tem crescido de forma consistente, transformando o país em um mercado cada vez mais atrativo para os grandes produtores internacionais. Países vizinhos como Chile e Argentina dominam as exportações para o mercado brasileiro, consolidando-se como os líderes absolutos. Contudo, Portugal tem se destacado como uma das nações que mais expandem sua participação nesse cenário competitivo. O dinamismo português no comércio vínico do Brasil vem se traduzindo em uma oferta renovada de vinhos lusitanos, que chegam continuamente ao mercado com rótulos diferenciados e inovadores.

Nas últimas semanas, estados brasileiros receberam uma verdadeira e pacífica “invasão” portuguesa, que trouxe dezenas de novos rótulos e variedades de vinhos para as prateleiras, algumas vezes okupando espaços já amplamente conhecidos por produtos nacionais e beneficiando consumidores e entusiastas. Esse movimento estratégico, que fortalece os laços comerciais e culturais, mostra como a produção de vinho em Portugal, país com centenas de anos de tradição, continua vigorosa e pronta para conquistar novos paladares e ampliar seu espaço comercial.

A região do Douro, famosa especialmente por seus vinhos do Porto, tem representado um dos polos que recentemente expandiu sua presença no Brasil. A tradicional casa Ramos Pinto, por exemplo, apresentou recentemente dois lançamentos que simbolizam a busca por qualidade e sofisticação: o Urtiga 2019, elaborado com um blend complexo de mais de 63 castas que remontam a plantações anteriores à praga da filoxera, e o Quinta de Ervamoira 2019, que representa uma seleção criteriosa das uvas e estabelece um patamar elevado para os vinhos portugueses contemporâneos.

Novidades e estratégias das vinícolas portuguesas para conquistar o consumidor brasileiro

O sucesso das vinícolas portuguesas no Brasil não é fruto do acaso, mas resultado de uma combinação estratégica de investimento, conhecimento e conexão cultural. O grupo Sogrape, consolidado na região do Douro e com produção repartida em várias vinícolas, também tem expandido sua atuação com novos lançamentos. Um exemplo recente é o Quinta de Azevedo Torre 2022, um vinho branco da tradicional região dos Vinhos Verdes, que alia as uvas Alvarinho e Loureiro para oferecer uma bebida de alta profundidade aromática e gustativa.

Além dos vinhos verdes, a produção do Alentejo também tem ganhado espaço, com rótulos como Herdade do Peso Revelado, que apresenta versões em branco e tinto, oferecendo ao mercado brasileiro produtos com corpo, potência e frescor equilibrados. Outro destaque da mesma vinícola é o Herdade do Peso Parcelas, elaborado com uma mescla de Alicante Bouchet e Petit Verdot, demonstrando a complexidade e versatilidade da produção alentejana.

Esse cenário de crescimento é potencializado por uma mudança no comércio exterior de Portugal. Até pouco tempo atrás, os principais mercados de exportação portuguesa estavam voltados para Angola e outros países africanos, mas mudanças econômicas e recessões forçaram uma reorientação de estratégias. O Brasil, pela sua dimensão e crescente consumo, passou a ser o principal ponto de interesse. Isso se traduz em investimentos expressivos, incluindo o aporte da agência ViniPortugal, que em breve ampliará seus investimentos em promoção no mercado brasileiro, reforçando a prioridade dada a essa região.

A vantagem adicional para os produtores sul-americanos em geral, especialmente Chile e Argentina, é a existência de acordos comerciais que eliminam taxas de importação, tornando sua competição com Portugal no Brasil ainda mais acirrada. Ainda assim, Portugal tem avançado com intensidade e qualidade, oferecendo ao público brasileiro rótulos únicos que associam tradição, inovação e autenticidade.

O consumidor brasileiro, embora o nicho do vinho premium seja relativamente restrito, demonstra grande apreço por vinhos portugueses, em grande parte motivado pela afinidade cultural e histórica entre os dois países. Isso fica evidente com o lançamento exclusivo aqui de colheitas renomadas, como Pêra Manca e Barca Velha, que ampliam a identificação afetiva e estimulam a fidelização do público aos vinhos lusitanos.

Vinho português no Brasil: um mercado que cresce em diversidade e investimento

A presença crescente de vinhos portugueses no Brasil já não é novidade para quem acompanha o mercado, mas o ritmo acelerado das ofertas recentes demonstra que o caminho ainda é promissor. Para além das casas tradicionais que hoje ampliam sua variedade, novas vinícolas entram no jogo, trazendo rótulos com diferentes perfis, vindos das diversas regiões produtoras de Portugal. Douro, Alentejo, Vinhos Verdes, Dão e outras denominações ganham destaque e visibilidade.

O investimento em promoção, marketing e adaptação ao perfil do público brasileiro é uma das razões que explicam a expansão da participação portuguesa. A ViniPortugal, por exemplo, anunciou para os próximos anos um aumento significativo do orçamento para atuação no país, enfatizando o papel do Brasil como mercado prioritário para a expansão internacional dos vinhos portugueses.

Além disso, a movimentação não diz respeito apenas à quantidade de rótulos. A qualidade e a diversidade impressionam. De vinhos de mesa refrescantes a exemplares robustos, indicados para envelhecimento, os consumidores brasileiros experimentam uma gama variada que permite atender diferentes ocasiões, preferências e faixas de preço, consolidando o consumo do vinho português como experiência gastronômica e cultural.

Com oferta crescente e um trabalho constante de valorização, o Brasil poderá em breve tornar-se um dos principais mercados para o vinho português, contribuindo para o fortalecimento dos negócios bilaterais e para o enriquecimento do paladar dos brasileiros, que encontram no vinho um elo com a história e a cultura lusitana.

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