A movimentação política e a passeata de Jair Bolsonaro na avenida Paulista
Nos corredores da política brasileira, cada movimentação de líderes e apoiadores carrega implicações significativas para o cenário eleitoral. A passeata de Jair Bolsonaro promovida na famosa avenida Paulista, em São Paulo, tornou-se um evento emblemático que expôs as nuances e divisões recentes dentro do bolsonarismo. Realizada num domingo, a manifestação teve uma presença visivelmente menor em relação a eventos passados, levantando questões sobre o momento atual da base política do ex-presidente.
Esse evento, que buscava mobilizar comícios em defesa da anistia para apoiadores, não contou com presenças esperadas — especialmente de nomes que anteriormente estiveram ao lado de Bolsonaro nas eleições e em campanhas políticas. A ausência desses personagens reforça debates internos e ambições futuras que indicam um possível realinhamento das forças de direita no Brasil, a poucos passos das próximas eleições presidenciais.
As repercussões do evento e as causas das ausências observadas fornecem uma leitura franca das alianças em transformação dentro do espectro conservador brasileiro, possibilitando um olhar crítico sobre o que ainda está por vir na política nacional.
A ausência de líderes bolsonaristas e o impacto na passeata
É comum em manifestações políticas que figuras centrais do movimento marquem presença para fortalecer a imagem pública e reafirmar apoios. Contudo, a ausência de figuras proeminentes nesta passeata levantou especulações. Entre os que não estiveram presentes, destacam-se os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Ronaldo Caiado, de Goiás. Ambos são protagonistas em seus estados e já mostraram alinhamento com Bolsonaro anteriormente, chegando a subir em palanques ao lado do ex-presidente há poucos meses.
Esses líderes têm projetos próprios e objetivos declarados de concorrer à Presidência da República, o que pode explicar o distanciamento observado neste evento. A estratégia de manter uma certa autonomia perante Bolsonaro pode estar relacionada ao desejo desses políticos de se colocarem como alternativas viáveis dentro da direita, buscando consolidar uma candidatura que absorva o legado bolsonarista sem depender exclusivamente dele.
A ausência de Michelle Bolsonaro também chamou atenção. Embora o papel dela no cenário político ainda seja discutido, pesquisas indicam que sua imagem tem potencial de crescer como figura política própria, possivelmente como uma precursora para futuras candidaturas. Sua ausência, assim como a dos outros nomes destacados, contribuiu para uma percepção de fragilidade no evento, afastando parte do apoio que se esperava concentrar em defesa da anistia política para apoiadores do bolsonarismo.
Faltas estratégicas no palanque bolsonarista
Além dos governadores e da ex-primeira-dama, senadores e ex-ministros ligados a Bolsonaro também optaram por não comparecer, como Ciro Nogueira e Rogério Marinho. Esses nomes são tradicionalmente fortes aliados, ocupando espaços políticos importantes, e suas ausências podem ter sido motivadas por estratégias eleitorais ou por um momento de reavaliação das alianças dentro do espectro da direita.
Outro ponto que chamou a atenção foi a impossibilidade judicial de Gilson Machado, ex-ministro do Turismo e amigo próximo do ex-presidente, de deixar sua cidade natal por decisão do Supremo Tribunal Federal. Essa situação, bastante divulgada, colocou em evidência as limitações enfrentadas por alguns integrantes do grupo e a pressão institucional que Bolsonaro e seus aliados vêm sofrendo.
No campo dos mais jovens, o deputado federal Nikolas Ferreira também não esteve no ato, o que indica possíveis sinais de desmobilização da juventude bolsonarista de forma organizada. Ferreira é uma das vozes emergentes, especialmente nas redes sociais, e sua ausência sugere uma divisão interna no grupo que precisa ser melhor compreendida para avaliar a força do movimento daqui para frente.
Comparação com protestos anteriores e o cenário de mobilização
Quando comparado a outras manifestações políticas de apoiadores de Bolsonaro, o ato na avenida Paulista se mostrou mais esvaziado, não ocupando nem mesmo um quarteirão completo. Este fato evidencia uma queda no engajamento de parte do eleitorado, seja por cansaço, insatisfação, ou pela crise de liderança que o movimento parece atravessar.
Durante a passeata, chamou atenção o aumento na presença de bandeiras de Israel e dos Estados Unidos, acompanhadas de uniformes da Seleção Brasileira – símbolos que confirmam o alinhamento ideológico e patriotismo que Bolsonaro promove. No entanto, essas simbologias não foram suficientes para atrair o grande número de participantes visto em outras ocasiões.
Presenças importantes e os bastidores do bolsonarismo no evento
Apesar das ausências notáveis, o ato contou com a presença de figuras importantes dentro do bolsonarismo, que ajudaram a manter o evento na agenda política do país. O pastor Silas Malafaia destacou-se tanto pela presença quanto pelo discurso, reafirmando valores religiosos que se conectam com o eleitorado conservador e bolsonarista. O apoio do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, demonstra o empenho da legenda em manter o vínculo com o ex-presidente, mesmo diante de dificuldades.
Governadores como Tarcisio de Freitas, Jorginho Mello, Cláudio Castro e Romeu Zema também marcaram presença. Sua participação reforça que, apesar das divisões, existe uma parcela expressiva da direita formal que ainda aposta em Bolsonaro como liderança ou referência política. No Congresso, a presença de senadores e deputados influentes como Flávio Bolsonaro, Magno Malta, Sóstenes Cavalcante, Marco Feliciano, Bia Kicis e Gustavo Gayer corrobora a representação de uma ala estruturada que, embora menor, mantém a resistência em prol do legado bolsonarista.
Questões sobre a capacidade de mobilização e futuro da direita bolsonarista
O esvaziamento relativo da passeata, somado à ausência de nomes de peso, levanta uma série de questões sobre a capacidade de mobilização do bolsonarismo. Será que o movimento ainda possui força para se manter relevante nas próximas eleições? Ou estamos diante de uma dispersão natural após os intensos anos de polarização?
Além disso, a pulverização das lideranças com aspirações presidenciais sugere que o campo conservador poderá se fragmentar, dificultando a construção de um projeto unido e competitivo contra outros blocos políticos. O bolsonarismo, que outrora se mostrava coeso e combativo, poderá precisar repensar suas estratégias e liderança para se reinventar no novo cenário.
Essas questões seguem em aberto e indicam um momento de transição, onde tanto operadores políticos quanto eleitores se deparam com dúvidas e possibilidades até então pouco exploradas dentro da direita brasileira.