Depoimentos cruciais na investigação sobre Mauro Cid envolvem ex-assessores e advogados ligados a Bolsonaro
Esta semana marca um capítulo importante nas investigações envolvendo Mauro Cid, delator em uma ação referente à tentativa de golpe contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Dois nomes de destaque aparecem no centro das atenções: Fábio Wajngarten, que foi assessor próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o advogado Paulo Cunha Bueno, defensor do ex-mandatário no referido processo. Ambos serão ouvidos pela Polícia Federal (PF) na Superintendência de São Paulo, em depoimentos que prometem lançar luz sobre as dinâmicas internas e as tentativas de influência na defesa do delator.
O chamado para os depoimentos reforça a complexidade das investigações, uma vez que a família de Mauro Cid relatou tentativas de aproximação por parte de Wajngarten e Bueno. Segundo o depoimento da mãe de Mauro, Agnes Cid, tanto ela, quanto sua esposa e até mesmo a filha menor foram procuradas diversas vezes para que a defesa do delator se alinhasse com a de Bolsonaro. O pedido não era simples: eles queriam que Cid trocasse de defensores para passar a atuar em sintonia com a estratégia jurídica do ex-presidente. Tais relatos foram formalmente entregues ao STF, exibindo um cenário de pressão e constrangimento familiar, revelado com detalhes pela mãe.
Além disso, Gabriela, esposa de Mauro Cid, confirmou ter recebido ligações contantes de Wajngarten. Muitas delas foram ignoradas, exceto quando atendidas a pedido da filha de 14 anos, que ela também era vítima dessas insistências. Gabriela contou que após Mauro começar a ser defendido pelo advogado Cezar Bitencourt, as tentativas de convencimento para mudar a defesa se intensificaram, com argumentações de que existiam advogados muito melhores para representar Cid – uma clara alusão à equipe ligada ao ex-presidente. A própria filha do delator disponibilizou seu celular para que fosse feita a coleta de provas dessas comunicações junto à Polícia Federal.
Contexto das investigações e detalhes técnicos da ação no STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o depoimento de Wajngarten e Bueno dentro do inquérito que apura mensagens trocadas clandestinamente pelo delator Mauro Cid e o advogado Eduardo Kuntz via Instagram. Essas mensagens tinham grande relevância, pois traziam revelações sobre a colaboração do delator, críticas diretas à atuação do ministro do STF e também questionamentos acerca da conduta dos delegados da Polícia Federal que lidam com o caso.
Interessante observar que Cid nega ter utilizado a rede social para tais contatos, mesmo com a divulgação feita por importantes veículos investigativos revelando mensagens, áudios e uma fotografia capturada pelo próprio delator durante a troca de informações. Todo esse material foi encaminhado para análise no Supremo pelo advogado Kuntz, ampliando as evidências e exigindo um aprofundamento das investigações. Esses fatos reforçam a tensão e o ambiente controverso que envolvem o processo, com acusações cruzadas e estratégias jurídicas intensas.
A presença de figuras que foram próximas do ex-presidente e a atuação direta na defesa jurídica demonstram como o tema ultrapassa a esfera judicial comum, impactando o ambiente político com tentativas visíveis de influenciar depoimentos e modificar estratégias processuais. O caso também evidencia um cenário onde interesses pessoais, familiares e políticos se entrelaçam, demandando uma atuação rigorosa e transparente por parte das autoridades para garantir a lisura das investigações.