Reconstrução detalhada de obra romana milenar em Londres

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Descoberta Arqueológica Revela Ricos Afrescos Romanos em Londres

Um conjunto excepcional de afrescos romanos foi recentemente parcialmente reconstruído por arqueólogos na cidade de Londres, apresentando um dos maiores achados desse tipo no Reino Unido. Essas pinturas, datadas de quase dois mil anos atrás, revelam cenas fascinantes que envolvem instrumentos musicais, flores, pássaros e outros elementos decorativos, permitindo um olhar profundo sobre a vida e o ambiente dos habitantes da Londres romana naquela época.

Os fragmentos dos afrescos foram encontrados na região de Southwark, uma área nobre da Londres antiga que atualmente está passando por um processo intenso de revitalização urbana. As paredes decoradas com esses murais pertenciam a uma luxuosa residência romana construída entre os primeiros anos da ocupação romana até o final do século II, antes de ser demolida. A descoberta veio à tona graças a uma investigação detalhada realizada pelo Museu de Arqueologia de Londres e envolve milhares de fragmentos que, juntos, estão começando a reconstruir uma história visual esquecida.

Reconstrução e Significado dos Afrescos Romanos

A reconstrução desses afrescos foi comparada ao “quebra-cabeça mais difícil do mundo” devido à quantidade e delicadeza dos fragmentos. O arqueólogo Han Li, especialista em materiais antigos, foi o responsável por essa árdua tarefa. Por meses, ele analisou e agrupou manualmente os pedaços, muitos extremamente frágeis, vindos de diferentes partes da residência. Gradualmente, as cenas começaram a aparecer: liras, frutas, guirlandas e pássaros pintados com cores vibrantes como amarelo, rosa e verde que indicam o alto nível artístico da pintura mural.

Além da montagem física, a equipe do Museu de Arqueologia de Londres, com o apoio da British School at Rome, utilizou tecnologias digitais para criar ilustrações que mostram como estes murais decoravam os cômodos da casa. As evidências indicam inspiração nos estilos artísticos de outras regiões do Império Romano, como as pinturas encontradas em cidades na Alemanha e França romanas, incluindo Xanten, Colônia e Lyon. Certos fragmentos imitam pedras preciosas como o pórfiro egípcio e o mármore amarelo africano, revelando o status elevado do proprietário da residência e o alcance da cultura material romana no território britânico.

A Identidade dos Artistas e Inscrições Raras

Um dos aspectos mais intrigantes da descoberta é a presença de uma tabuleta decorativa chamada tabula ansata, que traz a inscrição “FECIT”, termo latino que significa “fez isto”. Essa inscrição era uma forma dos artistas se assinarem e é a primeira do gênero encontrada na Grã-Bretanha. No entanto, o fragmento está quebrado justamente na parte onde provavelmente estaria o nome do pintor, um mistério que os especialistas ainda tentam desvendar.

Além disso, um fragmento de gesso possui gravado quase todo o alfabeto grego, um item incomum para o contexto britânico, possivelmente usado como uma ferramenta prática, como referência ou controle de estoque durante a produção das pinturas. A presença dessa inscrição sugere que a residência poderia ter também uma função comercial, ou que os artistas estavam conectados a um ambiente multicultural e complexo.

Outros detalhes incluem rabiscos como uma figura feminina chorando e desenhos geométricos inacabados, que atestam o processo criativo dos pintores e indicam que eram artesãos meticulosos e bem treinados, realizando testes antes de finalizar as imagens que adornavam a casa.

Importância Histórica e Cultural da Descoberta

A riqueza dos detalhes e a preservação excepcional dos fragmentos não apenas revelam o gosto estético da elite romana em Londres, mas também suas conexões com o Império Romano como um todo. Os especialistas acreditam que os artistas envolvidos eram parte de um grupo itinerante especializado em murais de prestígio, contratados para decorar residências luxuosas durante o período de maior crescimento urbano da antiga Londres, conhecida então como Londinium.

Essa descoberta permite expandir o conhecimento sobre o estilo de vida da alta sociedade romana na Britânia, evidenciando não só os aspectos cultuais e artísticos, mas também as relações comerciais e sociais que permeavam aquela época. O fato de a casa apresentar elementos decorativos inspirados em pedras raras e estilos do continente reforça a ideia de que Londinium era um centro cosmopolita e próspero.

Parte dos afrescos e objetos encontrados está prevista para exposição pública no futuro, o que permitirá uma apreciação mais ampla desse rico patrimônio. Entretanto, a busca pelo fragmento perdido que pode revelar o nome do pintor continua sendo prioridade, pois pode personalizar ainda mais essa história de arte e cultura que ressurgiu das profundezas do tempo.

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